Corrida Mundial Red Bull Wings for Life - Florianópolis

Ponte Hercílio Luz ao fundo. Foto por Mídia Sport.
Junto com uma das provas mais elogiadas do ano em Salvador esse ano - Iª Corrida pela Educação (leiam sobre aqui e aqui em relatos de Cássia e Rebeca, amigas de corrida daqui) - houve uma porrada de provas em todo Brasil, incluindo uma na madruga em SP. A que eu escolhi, e por sinal há muito tempo, foi a prova beneficente da Red Bull em Florianópolis. Na verdade, ela não ocorreu apenas em Florianópolis, mas em mais 33 cidades ao redor do mundo com largadas simultâneas e classificação geral mundial e local para o corredor que ficasse na pista por mais tempo. Isso mesmo: ganharia quem percorresse a maior distância! O valor das inscrições foi totalmente revertido para o fundo de pesquisas pela cura de portadores de lesões na medula espinhal. Uma prova nobre em um "país" dentro do Brasil que me fez repensar bem minhas rotas turísticas e esportivas para os próximos meses. Desejo que todos vocês façam essa prova um dia. Esse formato nos faz calcular metas diferentemente e a ausência de uma linha de chegada faz com que experimentemos um modo inusitado de "crescer" durante a prova.
Manguitos desnecessários

Número de peito ou de corpo?

Camisa Pólo da Assessoria

Nosso rival!!!

Pré-Prova

Voar para tão longe envolve um estresse absurdo e os voos/conexões de Sexta me deixaram travado. A chegada a cidade se resumiu a busca por comida e muito sono. Outra dificuldade foi vencer a atípica baixa temperatura: 18 graus. Saímos para a Beira Mar Norte as 7h para sentir o que seria a prova, mas logo após 3 dos 6k previstos, vimos que as frescuras anti-frio que levamos eram desnecessárias em nosso caso. Na ida para a retirada dos kits conhecemos o "Carro Pegador", o responsável por ditar o tempo limite dos atletas na prova. Sim! Não achem que a prova duraria quanto tempo fosse necessário: o carro largaria a 15kph (4'/km) após meia hora de prova e aumenta 1kph a cada nova meia hora. O kit não teve camisa, achei chato, mas compreendi... de lembrança ficou uma bandana massa. Ganhamos pulseira que nos separaria por currais de ritmo, barrinhas e o mais do mesmo de todas as corridas. 
Começo da prova: garantindo um ritmo forte para a musa
Perto do "vulcão" de Saco Grande, parte forte da prova. Foto: Foco Radical


Região do 20º km: quem não fez força, aproveitou o plano.

A prova

Se 18ºC foram vencíveis, acordar as 4h30 com menos que isso foi meio de bater o queixo. O frio na hora da largada incomodava e aquecer era mais que preciso. A direção de prova insistiu muito que fizéssemos o check-in cedo para que pudéssemos ter nossas distância computadas. Outra novidade, já que além dos chips, tínhamos que ter esse tal procedimento para poder ter nossas marcas registradas. Não preciso nem mencionar que uma galerinha perdeu isso e correu "numerada" só que sem suas marcas. A largada foi pontual em todos os países e na tenda da prova, o narrador contava o andamento dela em todos os países e principalmente aqui. Nosso vencedor masculino rodou 44k e o feminino 37. Na prova mundial um etíope na Áustria correu 78 e uma norueguesa no seu país fez 54. Queria elogiar também o respeito às baias de ritmo: falam mal disso no país inteiro, mas até nisso essa prova foi perfeita.

Nós, beeeem mais humildes, queríamos passar da marca da meia e ver até onde iríamos. No pace planejado de 5'/km, eu aguentaria 27k, só que o perfil altimétrico da prova prometeria algo que nos quebrasse a partir do 15k. Largamos admirando Floripa e com poucas palavras para manter ao menos 5'20"/volta e conseguimos até o 9º, onde me desgarrei de Marizinha e comecei a alternar voltas entre 4' altos e 5' baixos até a maldita "montanha" de Saco Grande que me forçou a fazer seus 1,2k em quase 7', destruindo ambições e passar do km 21. Finalizamos a prova com boas marcas. Ela rodou 19.9k e eu 21.5. Ficou na memória uma energia inigualável de corredores que se motivavam o tempo todo e uma organização impecável desde staff a narradores que nos agradeciam pela doação ao nos inscrevermos e nos parabenizavam seja lá por quais fossem as marcas alcançadas. Gente que colava do lado para seguir naquele pace por perceber que eu "aguentaria" até o 21k, assim como fizeram com Marizinha e de gente que gritava vibrando após ter sido "atropelada" pelo Nissan PaceMan. 

Batedores nos avisavam com cerca de 500m que o carro estava para chegar e os tiros que dávamos foi melhor que qualquer treino de pista. Soube dele lá pelo fim do km 20. Forcei o bastante e passei os 21k para 1h50'28'': mais que 7' abaixo de minha marca em meia maratona. Os km que restaram foram de uma emoção inigualável e de total deslumbramento de ter corrido numa cidade limpa e onde mar e verde estão perto de você o tempo inteiro, apesar do avanço dos prédios residenciais e comerciais, coisa que é bem diferente por aqui.
Medalhas

Um presente da organização da prova

Campeão dos 10k para cadeirantes

Ana Borba a campeã brasileira

Juntos em todas essas aventuras.

A volta

Agora depois de sacos de gelo, alongamento e tudo, a volta aos treinos foi um pouco dura, mas o foco na Meia Maratona Running Daventura no fim do mês fica mais preciso. Estou praticamente fora da Meia da Caixa dia 1º pelo preço deveras abusivo cobrado para que eu corra em minha pista de treinos favorita que é a orla de Salvador, principalmente após ter pago bem menos em BH e menos ainda em Floripa (R$62 quando o dólar ainda era 2,45). Volto a bronca por esses preços, acho que nem de pipoca irei e farei meu longo pro RJ no sábado, deixando o Domingo apenas para torcer pelos sparrings focados que almejam fazer bonito nesse dia.

E quanto a Wings for Life? Ano que vem ela está confirmada para 3/5. Espero que na mesma cidade ou mais para baixo. O Sul me encantou bastante por diversos aspectos que todos vocês que não são de lá já estão calejados de ouvir pelas bocas de quem para lá viaja. As colocação foram legais - em mais de 1200 homens fiquei no 155º lugar e para quase a mesma quantidade de mulheres, minha musa ganhou o 27º! No mundial também fomos bem. Achamos essa corrida bem mais parecida com a gente... poucos atletas-elite e mais gente da gente se vencendo, correndo junto, mais se apoiando que competindo e taí o motivo do confirmado repeteco para 2015. Até a próxima, galera. Aguardando experiências similares de vocês daqui da terrinha: sem igual tudo isso que passamos nesse primeiro fds de Maio.

Comentários

  1. Ivan e Mariana, sinto mesmo não tê-los visto aqui em Floripa. Estava ansiosa para ler o relato aqui no blog sobre as impressões da cidade. Fico feliz que tenham gostado e espero que voltem para correr e curtir mais a cidade. A prova de vocês foi realmente elogiável. Parabéns pelas suas marcas. Adorei as fotos e a alegria de vocês.
    um abraço e bons treinos.
    Helena
    Blog Correndo de bem com a vida
    @Correndodebem

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    Respostas
    1. Voltaremos sim!!! Ano que vem vamos para cima e também iremos com mais tempo para curtir sua ilha linda. Não deixaremos de te conhecer, pode apostar.

      Bons treinos.

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