29ª Corrida do Águia e mais ladeiras

Opa, galera. Voltar de um período de pausas é realmente por-se à prova e não seria muito diferente para mim. Três semanas de treino, duas semanas de provas e percursos com variações altimétricas tão duras que dois estudantes já me perguntaram se eu estava pronto para voltar assim ou se estou pondo na conta do tal lastro que acho que em dois anos de rua duvido que tenha o bastante para lidar com essas pedreiras. Enfim, esse fim de semana uma prova muito especial da cidade foi realizada; a Corrida do Águia, promovida pelo esquadrão dos motoqueiros da PMBA e em parceria com nossa federação de atletismo.
#PeralvaTeam
O grande desafio dessa prova, desde o momento que vemos no calendário sua realização garantida é se preparar para encararmos a imensa ladeira do zoológico da cidade, no km 10 da prova. São mais de 400m para cima e com um ganho brusco de altura, quebrando o ritmo até da elite que geralmente fecha a prova de 2 a 3 minutos acima do habitual. Ano passado, guardei energias para ela e pouca diferença fez; no fim o que vale é o treino específico nesse tipo de aclive. Porém, com minha pausa, mal tive como treinar para recuperar o rimo antigo, pior ainda para vencer ladeiras desse nível. Valeu mais por estar apto a participar de mais uma grande prova da cidade pagando um valor justo e dividindo pista com grandes nomes do atletismo local. Não perco provas da AVAB e FBA, elas traduzem bastante a essência do atletismo antes dos kits coloridos, fotos e vídeos da chegada e bebidas doces no meio do percurso, itens todos que encareceram bastante o ato de correr e limitam o público alvo das provas aos que podem pagar de 70 a 120 reais por humildes 5k. Agora com a presença do chip e sempre uma camisa alusiva, temo que essas provas também encareçam, mas creio que chegaremos ao meio termo antes do capitalismo vencer também a velha guarda do esporte.

Cotovelo aberto demais para a ladeira. Foto by @magoolin Olho no Atleta
Meu plano era rodar a prova toda para 5'30''/km, limite entre minha margem de segurança para não terminar definhando e meu despreparo para não por a fisio que ainda rola a perder. Contudo, me senti misteriosamente bem e gerenciei o fim da prova entre 5' e 5'10'' por volta e fiz um dos melhores splits negativos da vida, haja vista que a primeira metade eu rodei para o tempo que realmente planejara. No final, a ladeira do Zoológico nos força a rever humildemente as metas, contudo, o plano é mesmo pensar na prova como um todo e dar o que ainda sobrar das pernas nela, pois o que vem após o fim da ladeira é muito pouco, incapaz de mudar a história da prova para nós que entramos meramente concorrendo a um bom lugar na faixa etária.

Ladeira da tortura, Foto by @magoolin Olho no Atleta.
A equipe desceu com um número acima do normal de atletas, haja vista que priorizamos provas longas para juntar uma boa galera e fazer valer o investimento financeiro e pessoal, já que 10k temos todo fim de semana. O desafio da ladeira mexeu com o bichinho dos "psicos" da assessoria e alguns novatos que já estão mordidos por esse bicho. Marizinha levou o primeiro na faixa etária esse Domingo, lugar de onde esteve fora nas outras etapas desse ano mas sobrou por todo o ano passado. Outros atletas nossos chegaram juntinho do pódio e agradecemos isso ao treinamento que nos põe a prova sempre visando nosso bem estar e reciclar a nossa auto-estima; somos capazes do que quisermos até que os exames nos provem o contrário. Parabéns a todos! 

Esse fim de semana também marcou a realização da Golden Four em Brasília e fomos bem representados lá entre outros por Marcos, grande amigo que marcou um belo RP, Claudinha Paim, célebre atleta local e, com grande prazer, também amiga e Renato Maia, um dos meus gurus do esporte, referência na cidade; todos de metas batidas e felicidade estampada nos sorrisos de volta pra casa. Um pouco maior que essa prova foi a maior competição de Triathlon do mundo o Iron Man, realizado em Fortaleza que contou com nossos treinadores e teve um significado bastante especial; a volta de Rafael Peralva às competições. Muito mais no intuito de agradecer seu retorno e homenagear sua filhinha que em buscar vagas em IM de outros países, o mestre nos orgulhou com suas 10h e pouco de prova, mantendo o exemplo que sempre nos deu de que nada é impossível quando realmente se quer algo. No fim, ainda deu para ser o melhor baiano na prova.
Asics Golden Four Brasília

Os mestres no km4 e depois de mais
de 6h de prova no IM Fortaleza.
O Novembro intenso só pára no último Domingo. Agora dia 15 (sábado), temos a prova que seria a Volta de Pituaçu de 15k e transformou-se na Corrida de Encerramento da AVAB de 8k, em percurso inédito e com uma promessa de bons tempos pela irrisória variação altimétrica. Estarei lá... após a pausa, todos cansados do ano de muitas provas e eu procurando provas para participar para recuperar a endorfinas e perder os quilos ganhos em 50 dias parado. A forma está voltando e a expectativa é para um 2015 de mais barreiras quebradas que esse 2014 que está terminando um pouco diferente do que previra.
Bastante lastro nessa foto e nós de penetras; valeu, grupo Corpus Vitalle.


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