30ª Meia Maratona de Tiradentes no sertão que nunca vira mar



É bom demais estar escrevendo com frequência. A sequência frenética de provas não para e de maneira responsável venho tirando o melhor de cada uma, na precaução para evitar lesões por excesso de intensidade. Há quem diga que não consegue entrar em provas para “tirar o pé”, mas eu consigo e esse fim de semana que passou, no sertão de Juazeiro, fiz o máximo possível para uma prática saudável, porém sem deixar de dar a cara para bater para alguns de meus limites, afinal seria a prova mais quente de minhas quase 50 e sem dúvida a mais difícil meia maratona que eu iria fazer.

Juazeiro é uma cidade distante no estado da Bahia, diria que mais perto de Pernambuco que de Salvador. As temperaturas quentes, baixíssima umidade e seca devastadora marcam essa região. Apesar de coisas tão “ruins”, o povo amável daquele lugar também é famoso por bastante hospitalidade e educação e sentimos isso pessoalmente no sábado após sermos recebidos por eles e toda sua gentileza, coisas que precisávamos depois de 500km de estrada com bastante paradas para alongamento e pequenas caminhadas. Fomos recebidos também por uma temperatura assustadoramente quente e índices de radiação piores que quaisquer já enfrentados em meus treinos meio-dia na capital. A procura por carboidratos e bebidas refrescantes foi imediata e após pegarmos o kit nos encontramos com alguns dos melhores atletas do Brasil exatamente no mesmo hotel em que estávamos.

Nós e a super simpática Marily
A largada foi no distrito de Carnaíba, na marca do km21 da BR407. No aquecimento sentimos o ar quente ao respirarmos. Os meninos estavam bastante confiantes em relação à meta traçada em conversa com o Mestre. Eu, por minha vez, só queria mesmo curtir a experiência sem levar algo negativo nem na memória e nem no corpo. Foram traçados os planos A do Mestre e mais, pelo menos, uns B, C e D meus, que seriam desenvolvidos à medida que o cenário ficasse melhor ou pior. Levamos além dos “caveiras” do time uma novata em viagens e também nos treinamentos mais pesados: a psicanalista do time Sheyna que substituiria Marizinha, convocada as pressas pelo dever para o mesmo Domingo da prova.

Já esperava menos estrutura da prova. Sabemos que essas provas em cidades distantes atraem poucos patrocinadores e os custos voltados para mimos são reduzidos. Tivemos aferição de tempo chip e camisa alusiva, na minha opinião: o bastante para a que a prova não tome proporções que impeçam a cobrança dos humildes R$45 pedidos nessa. A presença da elite, fruto das pomposas premiações (no caso dessa prova, aproximadamente 65 mil reais), faz com que sejam mantidos os mínimos padrões para a prática esportiva segura. Contudo, algumas mancadas são clichês e, de fato, não apenas irritam como põe em risco a vida dos menos experientes e comprometem o desempenho dos que lá estão por premiações: a falta d’água no percurso, a falta de policiamento em locais para impedir a imprudência de motoristas e a falta de um tapete de checagem no meio da prova foram todos quesitos cruciais que poderiam estragar a festa de uma prova que a cidade se esforça para fazer e lota as ruas afim de motivar os corredores sempre perto do feriado de Tiradentes há 30 anos.

O calor desesperador e a falta d’água nos postos do km3, 6 e 12 me fizeram repensar alguns dos planos que citei acima e buscar, amo menos, um sub2h num treino de resistência como esse foi, foi o que sobrou para mim naquele Domingo. Os rapazes foram bem demais e surpreenderam antes de todos os outros a si mesmo pela prova fantástica, prometendo bastante para os mesmos 21 mais confortáveis da prova da caixa em Junho. Agradeço bastante ao povo de Juazeiro pela energia incrível quando saímos dos km solitários da rodovia e entramos na zona urbana. Foi o que me fortaleceu para um sprint de 20kph (3’/km) e consolidar o sub2h do plano D que bolara no aquecimento. Outro feito do dia foi minha nova suplementação intra-prova: umas bolinhas de tâmaras, damascos, ameixa umeboshi e castanha que aprendi na revista Runners’ World de Fevereiro. Vale a pena conferir! Elas tem a textura dos géis das grandes marcas e geram menor indisposição estomacal e retenção hídrica que alguns deles tem como efeito colateral. Senti um boost de energia, mas confesso que da próxima vez as faço menores. KKKKKK
Marca registrada de nosso time: carinho tanto pelos primeiros quanto pelos últimos.

Amo esses tiros...

Muita força nessa hora...
Djane foi nossa estrela do dia, após arrematar o rotineiro primeiro lugar da faixa ainda levou para casa premiação em dinheiro por seu feito e a noção de para quanto a elite roda para numa experiência futura colar nessas garotas que fazem entre 1h18 e 1h25 mesmo sem água e sob forte calor. O foco agora volta a ser a Red Bull Wings for Life em Brasília dia 3. Leiam mais sobre o layout dessa prova aqui e no site oficial dela. Essa aí é uma que pretendo fazer cada ano em uma das cidades diferentes oferecidas pela Red Bull e desejo o mesmo a vocês.

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