30ª Corrida do Águia - 3x vitorioso

Medalha por dentro!!! ¬¬' Foto por @albertorezak
Não é que eu voltei com tudo... O calendário tem das suas e o cara passa dois meses na caverna treinando e quando sai, vê que duas provas de seu planejamento caíram em semanas seguidas. Esse Domingo (dia 13) corremos a Corrida do Águia. Essa ave nobre nomeia o esquadrão de motociclistas da PMBA, grupo que tem um respeito diferenciado por parte de outras corporações por coordenar ações de trânsito, escoltas volumosas e outros atos de grande atenção pública. Há trinta anos eles fazem uma das provas mais cascudas da cidade; 11km na prova principal e 5,5k na de participação que culminam igualmente em um tiro de pouco mais de 400m após subir uma das ladeiras mais íngremes e longas de Salvador, a do Jardim Zoológico da cidade. Ela é uma prova que faz muita gente repensar suas planilhas, entender a importância de uns treinos em inclinação, dando a sensação de vitórias para muitos, mas também de frustração como vi ontem, ao ver grandes atletas e amadores cheios de provas nas costas quebrados a menos que 1k da fita de chegada. Ladeira não se subestima e o velho split negativo que todos planejam mostra-se surreal em provas que terminam de forma tão dura. Não foi vergonha para ninguém andar nessa hora... enxergo todos que topam uma prova dura dessa como vitoriosos; foquem em seus treinos e partam pra cima de toda prova com esse rótulo de durona... Foram elas que mudaram minha vida e me fizeram preferir percursos assim ante os mesmos Circuitos das Estações e Track&Field que as vezes faço mais pelos extras que pela prova propriamente dita.
#PeralvaTeam
Por ser uma prova bem tradicional e chocar com outras da própria FBA, as inscrições da Corrida do Águia começaram cedo, contudo, até em cima da hora foi possível se inscrever em ambas distâncias. Optei pela distância menor. Acho que poder correr a mais longa e optar pela mais curta aponta bastante maturidade de um atleta. Ser apto correr o que vier e optar por desafios em intensidades/ experiências diferentes, como fiz semana passada e muitos amigos também vem fazendo, só mostra o quanto crescemos em relação aquela galera que faz prova longa todo fim de semana, terminando todas castigados e rumo a lesões que os tirarão do esporte por um tempo chato. Fiz essa besteira em Abril ao fazer quatro provas longas em fins de semana seguidos e não fosse minha orientação técnica de dosar intensidades, talvez terminasse pior do que terminei o mês, onde mal tive pernas para humildes 15k após 2 meias maratonas. Pegamos os kits na Sexta e vimos um número maior de atletas inscritos em relação às outras, devido a essa prova integrar o Circuito Baiano de Corridas de Rua, que por sinal está bem confuso esse ano com etapas longe demais umas das outras e mudanças intermináveis no calendário de eventos local.
Ladeira do Zoo, ritmados! Foto por @joaopauloultra


Click sensacional de @albertorezak
Sprint violento da chegada por Patrícia Narriman
Minha planilha do fds pedia 10km progressivos, focando nos últimos 4km, mas sem pace determinado para esses. Meia hora antes da prova parti para os primeiros 5k, onde somados a prova, chegariam a 10k e quebrados e teria minha missão cumprida. A idéia era fechar para menos que meia hora, alongar, fazer uns educativos e largar, mas como atraso é coisa corriqueira por aqui, extendi mais um pouco o aquecimento e garanti foto e cumprimentos com amigos que não vejo há um bom tempo, alguns desde antes do Rio, já que eles não viajaram conosco para a Maratona. Deu-se a largada dos 11k pontualmente e cerca de 12 minutos depois a nossa dos 5,5. O atleta Toinho de Jesus, revelação da cidade de Esplanada (155 km de Salvador), apadrinhado por Peralva levou os 5k com facilidade, de ponta a ponta e com uma sobriedade e técnica dignas de quem teve orientação a vida inteira. Foi um prazer pelo menos largar ao lado dele. Tirei essa prova para fazer um pouco mais de força que faria na prova oficial. Fizemos dois treinos no percurso para treinar um ritmo progressivo, mas como Marizinha sempre acaba por disputar o pódio geral dessas provas, é complicado o próprio atleta ditar ritmo quando tem que defender ou brigar por posições e acaba se fazendo algo como o que vemos na televisão: corre-se em função da estratégia do adversário até você poder desenvolver a sua.
Geral Masculino nos 5

Geral Feminino nos 5; tudo nosso!

Eu, que não competiria por nada, diferentemente da prova de 11, onde brigaria por pontos no Circuito, me predispus a devolver o carinho de Marizinha que literalmente me carregou nos 12km finais da Maratona e fui com ela da largada à fita de chegada para presenciar esse momento ímpar de rasgar aquela fita que acho que nunca terei. A prova não saiu progressiva como planejamos e corri um pouco mais confortável do que esperava, o que me permitiu focar bastante em postura e outros elementos que nos proporcionam uma corrida sem tanto sofrimento como umas que costumo fazer. A prova é muito rápida! São muitos trechos retos e longos separados por cotovelos. Exceto os líderes que tendem a ser constantes, quase todos fazemos o penúltimo e último km abaixo de todas as parciais da prova. A ladeira ocupa o fim de um e o inicio de outro e esse é, desde que comecei a fazer essa prova do Águia, o momento mais especial da prova. Todos os atletas se estimulam até que seja batido aquele desafio. Fui passado por alguns atletas que não esperavam me passar e ouvi palavras de incentivo que arrepiavam, esse fairplay da corrida me faz cada dia mais apaixonado pelo esporte. Mariana também foi bastante estimulada por fazer parte do "leading pack" como vemos nas transmissões; a moto da organização a todo tempo checando se ela estava fazendo tudo certo e passando informações para uma pranchetinha e confirmando sua terceira posição desde o segundo km, onde a briga foi encerrada pela sprint de uma amiga nossa, esposa de um dos atletas mais raçudos da assessoria, o que deixou a briga em casa e todos felizes igualmente.

Beto Maia, o filho do vento
Vi vitórias bacanas esse Domingo como o retorno de Beto Maia, que correu comigo pela última vez em Dezembro de 2013 na Pampulha. Figuraça e apaixonado por corrida e bons textos, foi emocionante vê-lo tão emocionado... gente assim está acima de qualquer modinha do esporte e vão fazer os verdadeiros apaixonados perpetuarem seus pactos por correr afim de ver mais retornos e sprints finais como os desse cara. Próxima aventura é mês que vem na continuação do Circuito com a Corrida da ASA, bancada pela Aeronáutica, nos 10km se ela for dura como a do ano passado, dentro da base aérea, ou nos 5km se ela for nessa chatice da Orla da Barra como em 2013. Grande abraço e parabéns a todos! Foquemos nos treinos que quase 80% de meus leitores tem uma Meia Maratona dia 4 em Salvador e a Maratona de Buenos Aires dia 12.


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