Asics Golden Run - 12 meias e muitas mudanças

Confesso que as provas brilham menos quando vc treina e aprende que por mais que tenhamos apenas desejos recreativos, a responsabilidade com nossos corpos e nosso investimento em inscrições, viagens e outros devem ser postas em primeiro lugar antes de sair se jogando em todas as provas que aparecem. Porém, mesmo diminuindo essa adrenalina inesperado, é sempre diferente treinar meses para sentir aqueles arrepios da largada, o furor de ver que tá tudo dando certo no km 12 dos 21 e aquela sensação de estresse que antecede a glória da chegada entre os km 18 e 21... Foi tudo mais uma vez fascinante na prova que abriu o circuito Golden Run, "irmão" do Run Cities que até ano passado faziam tudo parte da mesma coisa: as pomposas meias da Asics/ Iguana Sports que conquistaram o Brasil com sua excelência nos detalhes que mais precisamos, mas que ainda tem no que melhorar haja vista o preço das inscrições desde o seu primeiro lote.

Entrega de Kits

Minhas reviews são quase sempre imparciais. Tem coisas que gosto bastante, mas prefiro não florear tanto, assim como haverá coisas que eu não vejo graça alguma, mas vou ponderar sempre na hora de falar pensando no quanto isso é realmente relevante na hora de ajudar você, corredor, a escolher se fará ou não a prova que eu reviso aqui. A Asics teve um pouco de ambos. Vou elogiar as tentativas de tornar a entrega do kit algo legal: super curto a ideia das palestras, por exemplo. Embora quem mais precise vê-las passe direto e vá logo para a loja deixar seus suados (ou não) reais em produtos para usar na manhã seguinte. Achei desrespeitoso pagarmos 12 reais de taxa de conveniência e, como cortesia, pagaríamos R$10 reais para estacionar na área de entrega. O kit propriamente dito não decepcionou como muitos falaram: camisa, viseira, gel (que achei bom), flyers e o odiado chip de papel. Faltaram alguns mimos, pelo tamanho que a Asics tem, mas acostumei com o fato que as maiores provas compensam nossa grana mais nas Arenas de largada e chegada (vide Farol a Farol) que no pré prova, embora sempre vá me posicionar por algo na casa dos 80 reais como inscrição justa. O teste da pisada e a massagem foram outro plus da feira, embora descarte o primeiro. A lojinha?!?!?! Aff! Qual a parte de que como corredores deveríamos ter descontos consideráveis e vantagens nela? Acho que não teve.

A prova
Nosso campeão PNE Claudio, orgulho de todos que acompanham de perto. Foto por Esporte Mundo.

Outra confusão foi estacionar ou até mesmo usar o transporte público. Mas isso não é culpa da Asics e sim de nossa pouca fama em eventos esportivos outdoor. Falta anunciar quais vias deveremos pegar ou evitar antes da prova e dar sugestões de estacionamento. No Rio canso de ver placas luminosas ou mesmo de pano avisando isso com dois dias de antecedência; pq não copiar nossos primos ricos nisso também? Cheguei quase em cima da hora, mas todos os caminhos levavam a prova, fosse de uber, de taxi ou até mesmo andando... pela largada ser a partir de 6h30, o transporte público de SSA ainda tem pouca cobertura nesse horário, então quem se antecipou e arranjou caronas, alugou vans, etc, se deu bastante bem.

Últimos 2km seguido e ultrapassado pela querida Lari e um amigo da assessoria que não saiu no frame. Foto por Fotop.
Passado esse sufoco, a largada da Asics vi poucas vezes igual. Assim como no RJ uma organização padrão gringo, como baias, dessa vez respeitadas por alguns minutos, largadas por ondas e música e locução guiando todos os nossos passos antes de sair. A sinalização e fechamento do trânsito também impecáveis e pouquíssimos afunilamentos, exceto quando as vias quase alagadas pela chuva nos obrigaram a fazer isso... eu mesmo não molho meu pé em início de prova nem que tenha que andar para evitar. As ondas, mesmo que furadas por alguns "espertalhões" evitaram os congestionamentos que os corredores mais lentos provocam ao entrar em pelotões que não condizem com seu ritmo e as coisas fluíram dos primeiros metros ao km21. O final foi também alto nível, embora a chuva tenha manchado um pouco tudo, alagando parte da área das tendas. O kit lanche foi legal e a medalha linda, embora tenha dado falta dos monumentos de Salvador nela como costumava ser na época da Golden Four

Minha campeã com RP, sem sequelas de Brasília nas pernas. Que inveja! ^^ Foto: Fotop.
Os chips que deram trabalho, molhados e perdidos no percurso, a sensação que deu é de que a Asics usou o recurso de vídeo para determinar seus top100 e top20 e os tempos eram o que pouco importava. Um amigo que rodou 1h13, foi classificado com o tempo bruto de 1h26, tempo decorrido da primeira buzina. Um amigo de 1h20, ficou com 1h13, tempo de quem largou na segunda onda, assim como várias outras lambanças que quem tem Facebook e Insta já se encarregou de divulgar. Literalmente um papelão; chips destruídos e os RPs de muitos registrados apenas no relógio. Queria muito saber de onde tiraram essa idea desse chip de papel. Até o suor, pingando por mais de uma hora seria capaz de deteriorá-lo, não é preciso estudar física para saber.

E EU?!

O maior legado que as provas deixam: as amizades que ultrapassam as cores das assessorias.

Vi muitos amigos e a energia de viver o dia que todos esperaram por cinco meses para correr é de arrepiar. Confesso que queria estar mais energizado, mas a Wings consumiu bastante disso e tive poucos conhecidos para dividir isso tudo, ainda mais por ter sido em outro estado. Larguei em ritmo um pouco acima de minha média, ainda sentia cansaço do Domingo anterior: o plano era 16k Z2 e 5 na Z3. Ser progressivo é sempre o plano, mas para esse Domingo eu precisava vencer a minha mente e a sensação de que chega a Copa mas não chega o km21. Foi bem fácil, em corridas com tanta gente, raramente corremos só e quaisquer 3km ao lado de alguém passam rápido como um tiro de 400 e assim participei de pequenos pelotões nos momentos mais críticos da prova, como na hora da chuva apertar no começo, nos cotovelos e subidas entre o km8 e 12 e na reta final onde o corpo sentia os 12kph como se fossem 15. 

Uma de nossas TOP20
O resultado foi dentro do proposto: média de 5'26''/km nos 16k e 5'06''/km nos últimos 5: 1h49'08'' no final: melhor que semana passada, aceitável para quem vinha volumando e ainda sentia cansaço e perfeito para quem programou a prova e evitou todas as surpresas que a falta de preparo ou irresponsabilidade acarretam. Acho que correr por anos e gostar desse hobby tem dessas coisas, você perde essas surpresas e ganha em experiências, o gozar da prova é outro e por mais que amemos um RP, a gente tem dezenas de outras coisas para se deleitar numa prova que tenhamos treinado para simplesmente poder completá-la, traçar nosso retorno ao esporte, ou apenas fazer valer o investimento de meses em uma assessoria onde inicialmente só queremos perder os kgs a mais antes de usar uma sunga no verão. Bons treinos a todos, parabéns aos concluintes da batalha na chuva da Golden Run e em especial aos 16 atletas da assessoria, sendo duas meninas TOP20, que integraram o TOP100 e ganharam sua medalha extra. Próxima meta é Feira de Santana dia 4/6, mas estarei na Corrida Beneficente do SESC no fim do mês para fazer meu volume dentro dela e também ajudar o próximo com a doação de 3kgs de alimento, meus parabéns a organização deles desde já.

Comentários

  1. Sou fã dos seus Post e tava na ansiedade de ler sobre a prova.
    Não nos encontramos lá, mas lhe gritei na sua chegada.
    Parabéns pela conclusão de mais um 21k. Dia 18/06 será minha vez.

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  2. Perfeito texto, meu amor. De forma clara, vc passeou em todos detalhes da prova. Parabéns! E que venham as próximas....

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