Meia de Feira: boa, pertinho e pela metade do preço

Since 2013. Foto por @rezakfotografia

"Nunca duvide que pode se surpreender" essa é a mensagem que ficou na minha cabeça após a 1ª Meia Maratona de Feira de Santana esse Domingo na cidade mais conhecida do nosso interior. Corri lá ano passado, achei massa, mas provas de 5 e 10km até nós mesmos organizamos na rua, no aeroporto, ou pista de atletismo, pois não requerem tanto empenho e investimento. Mas aí eles anunciam uma Meia Maratona pelo mesmo preço que paguei nesses 5k: não duvidei que fosse boa, mas acreditava que em caso de contratempo seria salvo pela minha experiência que vem de provas desde o padrão de excelência Mizuno Ten Miles Series onde estreei em longas distâncias ao fiasco em hidratação de uma Running Daventura onde tudo deu errado há 3 anos e Meia Tiradentes em Juazeiro onde a organização poderia ter matado seus atletas os deixando sem água no sertão.

Quebrei a cara e vos digo: não fosse pela monotonia do visual pouco atrativo das longas retas, ela tem muito em comum em termos de qualidade em relação as meias que ocorrem sempre na capital. O diferencial "preço" (R$65 em Dezembro e R$75 último lote) é o que me faz te recomendar essa prova como a Meia que vocês devem fazer para bater tempo, não serem esquecidos no meio do mato, deixados sem água na cidade ou não terem seus tempos computados... falhas rotineiras em provas de inscrições que chegam a 210 reais. A 1ª Meia Maratona de Feira tem tudo para ficar em termos de aceitação e facilidade de logística e se eu pegar gosto como fiz com a Wings for Life, tornarei tradição por ter começado minha jornada logo na prova 1. 

PRÉ-PROVA

A ida e a estadia são o mais simples após a inscrição. Feira como ponto de passagem para todos que adentram a Bahia via BR324, tem hotéis (e motéis) dos mais variados preços. No Booking achamos a partir de R$55 o quarto duplo, no centro da cidade, onde o foco maior dos viajantes é apenas descansar e se abastecer do/ abastecer o Feiraguay. Essa região fica a 500m da largada da Meia e pesou bastante na hora de escolhermos o Hotel Paraíso onde ficamos, outro ponto alto desse fds. Quem preferiu, acordou as 3 da matina e pegou a estrada. Meu sono é coisa muito séria, acho que se topasse isso estaria detonado a tarde. Comer em Feira é muito parecido com SSA: há Shopping para quem não quer arriscar no menu, assim como também restaurantes no começo da rodovia e espalhados pela Getúlio Vargas, a principal avenida da cidade. A entrega dos kits foi numa linda academia literalmente na beira da estrada. Nada a reclamar também, localização super bacana, antes de entrarmos na cidade, ambiente de entrega super coerente com o evento e camisa, viseira, suquinho e panfletos de patrocinadores na mochila que também é parte dele.

A PROVA
Cadenciando as coisas no km6. Foto: @rezakfotografia

A prova largou pontualmente as 7h10 após a largada dos PNE. Pegamos uma reta praticamente ininterrupta até os 10,5k onde retornamos pelo lado oposto a ela. Quando eu digo "reta", é reta mesmo. No gráfico vocês veem pouca oscilação que influenciasse em pace em relação a muitas provas que fazemos. No km 5 da ida e 16 da volta há o elevado que diz muito sobre como será o seu ritmo após cruzá-lo. Para muitos esse foi um ponto chave para ultrapassagens e conservação de energia. Para outros, serviu para desacelerar andando e respirar o gasto nas retas que antecediam esse momento. Fiz parte do primeiro grupo no km5, mas por pouco não fiz parte do segundo no 16. A prova foi muito boa até o retorno, mas o corpo cobrou alguns erros que cometo na musculação, as semanas de provas duras consecutivas e o excesso de empolgação pela altimetria "fácil" da prova: se não pagamos com cansaço a mudança de altimetria, pagamos os segundos que tiramos de pace nos km iniciais e não ter optado por ser progressivo esse Domingo me fez correr os últimos 5km muito mal, quase em ritmo de regenerativo, mas como pernas e coração agitados como num Z3 de planilha. A chegada vinha após um retorno em que reduzimos bastante a velocidade e encarávamos uma leve subida. O tapete vermelho foi um mimo muito bem pensado pela direção da prova, me senti privilegiado como poucas vezes. O tempo foi 1h50. 1' a mais que a Golden Run e 1' a menos que a Wings for Life do início do mês de Maio em Brasília.
Elevação
S2. Foto: @rezakfotografia
O apoio popular, por nos distanciarmos bastante do centro da cidade ao passarem os km, foi bem fraco, mas os corredores foram bem unidos. Dividimos água  e Gatorade para não desperdiçar as 500ml dadas em garrafa grande difícil de abrir, mas essencial dada a desidratação maior ao correr mais abafados ao corrermos a favor do vento na volta. Falando nela, havia hidratação a cada 2,5-3km e o Gatorade veio no km 11. Haviam também staff muito bem posicionada em alguns trechos da pistona que pegamos para flagrar os espertinhos que cortam caminho e chegam junto com quem fez os 21km de verdade. 

Conheci e corri por vários km com a corredora Bel que deve ser muito famosa por lá e me senti contagiado pela energia emanada por ela, foram mais de 50 corredores do lado oposto gritando ela ao vê-la. Solta como é, ficou junto de mim do km7 ao 14, mas a medida que eu quebrava ela só crescia e rumou em direção ao pódio com um fôlego que pouco vejo nos mais jovens. Marizinha, Samir, Píton, Couro de Rato e Daniel foram as companhias da equipe que levamos para lá e todos deram o seu melhor até onde puderam. O companheiro de viagem foi Marcos, que começou a correr  comigo há quase 5 anos. A equipe Renato Maia destruiu no pódio, mostrando que não há fronteiras para um trabalho bem feito e com essa excelência mostra que é possível por junto o público performance e bem estar sem que um desmereça o outro e com todos se engajando em propostas que abracem a sua realidade sem riscos de falhas. 

E AGORA?

Que venha mais uma maratona juntos!
Agora me darei umas férias pequenas para reequilibrar o corpo após essas 5 semanas intensas e em Julho começamos a pensar no que será preciso para  a sonhada Maratona de Buenos Aires. Obrigado a Feira de Santana pelo fim de semana ímpar. Parabéns a organização da prova e  a todos os participantes que toparam agregar valor a essa prova com bastante suor e alegria. A permanência de quase todos os inscritos na chegada fazendo aquele barulhão foi um a mais que jamais esquecerei. Abraço extra para os fotógrafos Magoolin e Alberto que foram prestigiar a gente tão longe e garantiram nossos passos em seus cliques.

Comentários

  1. Show! Queria muito ir à prova mas infelizmente não deu. Ano que vem espero estar presente e que possamos nos divertir no evento. #letsrun

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  2. Muito legal o texto!!! Ótima experiência.
    Eu andei um pouco, não resisti ao sol.
    Foi boa a experiência!!!!
    Parabéns para Você e Mari pela corrida!!!! Parabéns para Alberto pela fotos!!!
    Parabéns pelo texto, Ivan!!!
    É Samir 🖒

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  3. Fico muito feliz quando as organizações acertam em provas com percursos novos. Só li bons comentários da prova. Vamos vê se vou tomar gosto pelos 21km pois certamente iremos prestigiar a prova ano que vem.

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